quinta-feira, 18 de abril de 2013

Quantos lados te fazem acreditar?



Quase todo fato na vida precisa ter no mínimo uma versão para que possa se tornar um assunto, mas acredite, é incrível como isso pode virar nossas cabeças para baixo!

Quando você acorda todos os dias e sai para o mundo viver sua vida, tudo se concentra em primeira mão a sua única pessoa. Mas independente do que faça, qualquer um pode negar seus atos, e estar aos olhos de outros, mais certo que você. Como assim? 

Vamos criar um caso simples que não fuja muito do que todos poderíamos imaginar:

Em uma noite na pequena cidade de Stolavn, quando não se via mais ninguém pelas ruas, um jovem ciclista às pressas para sua bicicleta, retira uma câmera de sua bolsa e fotografa a ponte de Wintones (famosa por sua bela aparência). Ele observa a foto e suspira 'Consegui, bem a tempo!'. Então acena para algo, deixa sua bicicleta e vai embora. Minutos depois, sem uma certa causa, a ponte desmorona, deixando somente as câmeras de segurança arredores para trás.

Se fosse você o detetive contratado para resolver esse caso, por onde iria começar?

Cada um pensaria em algo. Algumas repostas iriam se contradizer totalmente, outras rumariam parcialmente à uma mesma situação e algumas seriam praticamente iguais. Mesmo com as inúmeras tecnologias de hoje em dia e com profissionais experientes nesse ramo, nem tudo sempre pode sempre ser precisamente resolvido. Esqueçamos o caso.

Todos nossos dias são narrados por meio de algo ou alguém. Estamos constantemente criando histórias sem nem mesmo notarmos, e é nas entrelinhas delas, que formamos nossos questionamentos e nossas opiniões. Qual a sua cor, animal, jogo, esporte, trabalho, livro, objeto, cidade, flor, cheiro, banda, pessoa preferida? Quem você gosta, ama, odeia, paquera, ignora, deseja, confia, convive, admira mais?

Rodeado de tantas opções, dificilmente você conseguiria moldar somente uma única resposta para perguntas assim. É fácil ter várias versões. 


Essa menina é uma bailarina. 
Essa menina anda de skate.
Essa menina é modelo.
Essa menina esta usando um vestido.
Essa menina esta em um parque.
Essa menina tem o pé pequeno.
Essa menina tem as pernas finas.
Essa menina gosta de vermelho.
Essa menina é branquinha.
Essa menina esta de frente para foto.
Essa menina é jovem.
Afinal, é uma menina?

  

O que nos faz conseguir deduzir tantas hipóteses? Nossa capacidade de questionamento!

  
E estamos perdendo isso, afinal...


Você não se preocupa todos os dias com o que suas ações podem gerar? Se sua opinião pode ser contestada? Se você esta certo ou errado? Qual é a verdade?

Te digo: Pare, isso é besteira!

Porque tentamos responder tudo que nos é perguntado com tanta pressa? Porque você precisa ter a opinião de algo, logo depois que o viu? Esse intuito de obter uma rápida resposta, dificilmente faz  com que nos auto questionemos antes de responder e sempre nos faz sentir julgados/julgando com as respostas. 

O tempo continua o mesmo, mas nós não. Somos cada vez mais predestinados a armazenar tantas informações quanto possível e ter nossos conhecimentos conectados à todas as ciências da vida, que ter uma resposta firme e concreta sobre qualquer assunto, esta ficando cada vez menos possível. 

Conforme nossas exigências vem aumentado, nossos resultados vem diminuindo. E com motivo. Afinal, nunca existiu um único resultado e nem mesmo uma única resposta possível para tudo!

A resposta não esta no questionar. A resposta não esta no pensar. A resposta não esta no observar.

Não queira ter reposta para todas as perguntas, e nem mesmo uma opinião para todos os assuntos. Saiba ver que dois lados de uma moeda, jamais fizeram dela uma moeda verdadeira. Quem dirá um lado? Quem dirá uma única versão?

Sabe o menino da bicicleta? Então...





 


Fernanda Vulcanis.






Um comentário:

  1. Mazah, que guria pensadora! É bem isso que sempre falo - tudo é muito relativo, e nada é absoluto, as respostas dependem de como encaramos as diferentes situacoes da vida! Continue escrevendo, garotinha! Será um prazer acompanhar seus pensamentos!
    Beijos, ARJ! =)

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